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Posts Tagged ‘resenha’

… e muito mais, na verdade. Discute também as duas últimas décadas de liberalismo econômico, e as causas e conseqüências do mercado financeiro e especulativo. É um texto excelente, e gigante. Estou na metade ainda, mas já li coisas muito interessantes.

Me passaram como sendo um texto do Luis Nassif, mas só agora percebi que logo no começo há a indicação dos autores: Gustavo Cherubine e Ladislau Dowbor.

Eis um trecho muito interessante, com um ponto de vista que eu nunca tinha visto até agora. Combate o (que parece ser um) mito de que investir na bolsa é saudável para a economia pois você está ajudando as empresas cujas ações você negocia a se capitalizarem:

Num plano mais amplo, portanto, o próprio sistema é desequilibrado em termos de alocação e de apropriação de recursos, mesmo quando não há crise. Marjorie Kelly produziu nesta área um estudo particularmente interessante, intitulado “O direito divino do capital”. Analisando o mercado de ações dos Estados Unidos, Kelly constata que a imagem das empresas se capitalizarem por meio da venda de ações é uma bobagem, pois o processo é marginal: “Dólares investidos chegam às corporações apenas quando novas ações são vendidas. Em 1999 o valor de ações novas vendidas no mercado foi de 106 bilhões de dólares, enquanto o valor das ações negociado atingiu um gigantesco 20,4 trilhões. Assim que de todo o volume de ações girando em Wall Street, menos de 1% chegou às empresas. Podemos concluir que o mercado é 1% produtivo e 99% especulativo”. Mas naturalmente, as pessoas ganham com as ações e, portanto, há uma saída de recursos: “Em outras palavras, quando se olha para as duas décadas de 1981 a 2000, não se encontra uma entrada líquida de dinheiro de acionistas, e sim saídas. A saída líquida (net outflow) desde 1981 para novas emissões de ações foi negativa em 540 bilhões”…”A saída líquida tem sido um fenômeno muito real – e não algum truque estatístico. Em vez de capitalizar as empresas, o mercado de ações as tem descapitalizado.

O texto também comenta o comportamento particular que os bancos adotam no Brasil, que leva a um ano de lucro obscenamente recorde após outro (mesmo em época de crise, o que é mais impressionante!), e contribuindo grandemente para o aumento da concentração de renda (portanto injustiça social) no país:

A situação aqui é completamente diferente dos bancos dos países desenvolvidos, que trabalham com juros baixos e alavancagem altíssima. Essencial para nós, é que sustentar no Brasil juros que são da ordem de mil por centos relativamente aos juros praticados internacionalmente, só pode ser realizado mediante uma cartelização de fato. Para dar um exemplo, o Banco Real (Santander Brasil) cobra 146% no cheque especial no Brasil, enquanto o Santander na Espanha cobra 0% (zero por cento) por seis meses até cinco mil euros. Os ganhos dos grupos estrangeiros no Brasil sustentam assim as matrizes. Lembremos ainda que a Anefac apresenta apenas os juros, sem mencionar as tarifas cobradas. Os resultados são os spreads fantásticos e lucros impressionantes que o setor apresenta, sobre um volume de crédito no conjunto bastante limitado (39% do PIB) para uma economia como o Brasil. A intermediação financeira tornou-se assim um fator central do chamado “custo Brasil”, e um vetor central da concentração de renda. Os lucros são tão impressionantes, que ao abrigo deste cartel mesmo grupos de comércio, em vez de se concentrar em prestar bons serviços comerciais, hoje se concentram na intermediação financeira.

Enfim, leiam o texto. 🙂

E obrigado ao Camilo pela indicação.

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vidocq

Neste fim de semana assisti Vidocq, um filme policial francês com uma trama meio fantástica, estrelando Gérard Depardieu.

Gostei do filme, tem uma trama boa, a história se desenrola em um ritmo rápido e envolvente, e é contada de uma forma razoavelmente não-convencional. É um alívio conseguir fugir de vez em quando dos filmes americanos e suas fórmulas.

O diretor do filme (um cara que gosta de ser chamado de Pitof, vai entender) trabalhava anteriormente com efeitos especiais, e atuou (sic) como diretor pela primeira vez neste filme. O gosto e familiaridade dele por efeitos especiais é aparente, pois estes permeiam o filme e apesar disso não cansam nem chamam muito a atenção. Até ajudam a reforçar a história.

Curiosamente, existiu realmente alguém chamado Vidocq (faz sentido, acho que não seria fácil tirar um nome desses do chapéu), que inspirou não só o personagem central deste filme como também o o Jean Valjean e o inspetor Javert de Os Miseráveis.

Se acreditarmos na biografia do cara que é contada na Wikipedia, realmente não surpreende o fato de ele ter sido fonte de inspiração para livros e filmes… O cara demorou pra achar um rumo na vida. 🙂

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Esses dias vi o filme “O Grande Ditador”, do Charles Chaplin. É uma sátira a Adolf Hitler e à Alemanha Nazista do final da década de 30.

É um filme impressionante, em vários aspectos. Um deles é que foi lançado em 1940, ou seja: muitos anos antes do final da 2ª Guerra Mundial. Nessa época, os EUA (onde o filme foi produzido) ainda estavam oficialmente em paz com a Alemanha, e muitos insistiram que Chaplin desistisse do projeto. Inclusive diretores judeus de Hollywood, que temiam represália do governo aos judeus que viviam na Alemanha na época.

Outro aspecto impressionante é que o filme retrata de forma muito franca o tratamento discriminatório e violento dado aos judeus pelos nazistas, e é ao mesmo tempo uma comédia com “gags” e piadas misturadas a cenas revoltantes de autoritarismo. Eu particularmente achei o filme bastante esquisito por isso e não gostei muito, por achar que tratava de um tema muito pesado de forma leviana. De fato, Charles Chaplin depois disse que se soubesse na época de toda a extensão do horror causado pelos nazistas aos judeus, não teria feito o filme.

Isso é desculpável, pois na época os aliados não tinham noção do que os judeus estavam começando a passar nas mãos dos nazistas. Os guetos judeus estavam apenas começando a ser formados, assim como os campos de concentração (Auschwitz foi fundado em 1940). Os aliados só começariam a ter notícias do que ocorria dentro dos campos de concentração e dos campos de extermínio (sim, são coisas diferentes) a partir de 1942.

Por fim, impressiona também o fato de Charles Chaplin ter usado seu próprio dinheiro para fazer essa produção de alto risco (temia-se que o filme seria boicotado e censurado antes mesmo do lançamento), e fez isso por ideologia, para lutar com as armas que tinha (sua fama, e o humor) contra alguém que precisava ser combatido.

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Sr. Brasil

Hoje assisti novamente o Sr. Brasil, programa da TV Cultura, apresentado pelo Rolando Boldrin. Talvez esse seja o meu programa preferido na TV. Se você não viu, recomendo fortemente que assista, pelo menos uma vez para ver como é…

O Rolando Boldrin sabe muito sobre a música e os músicos brasileiros, e sabe transmitir e valorizar nossa cultura como ninguém. Outro dia ele levou uma dupla que cantou uma música chamada “Romance de uma caveira“, e qual não foi minha surpresa ao ouvir uma música que minha vó costumava cantar quando eu era criança! Nostalgia pra que te quero. 🙂

Gosto tanto que até comprei um CD do programa.

Passa toda terça-feira às 22h40m na Cultura, com reprise aos domingos, às 10h (é, eu sei… domingo de manhã é complicado).

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