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Posts Tagged ‘polônia’

herói de verdade

Estive lendo um pouco sobre um cara chamado Witold Pilecki, e fiquei muito impressionado com a história dele:

  • lutou na 1ª Guerra Mundial;
  • lutou na Guerra Polaco-Soviética;
  • na 2ª Guerra Mundial:
    • lutou contra a invasão da Polônia;
    • fundou o Exército Secreto Polonês;
    • voluntariou-se para se infiltrar no campo de concentração de Auschwitz como prisioneiro, onde organizou um movimento de resistência interna e vazou informações de primeira mão sobre o que acontecia lá dentro (até então não se sabia muito bem o que eram os campos nazistas);
    • fugiu de Auschwitz;
    • participou do Levante de Varsóvia;
  • depois da 2ª Guerra Mundial, montou uma rede de inteligência e coletou informações sobre atrocidades cometidas pelos soviéticos na Polônia;
  • foi preso pelo Serviço de Segurança Polonês, torturado, condenado à morte em um julgamento arranjado e executado na prisão.

Caramba hein? Vale lembrar que na ocasião das duas primeiras guerras listadas acima, ele tinha apenas 20 anos de idade! Fico imaginando o que o motivava tanto a lutar e superar as (enormes) dificuldades em seu caminho. Que valores ele tinha?

Esse tipo de pessoa me faz pensar seriamente sobre como tenho usado/aproveitado minha vida…

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Polônia – II

Bom, continuando a falar sobre a Polônia:

A história da Polônia na Segunda Guerra Mundial é impressionante, principalmente a de Varsóvia. A gente não tem idéia disso, mas os poloneses resistiram fortemente à ocupação nazista em seu país. Nem de longe houve conformismo à presença do invasor. Foi organizado um Governo da Polônia em Exílio, que dirigia o país à distância, a partir de Paris e depois Londres (muito estranha a idéia de governar um país à distância). Surgiu também o Armia Krajowa, exército de resistência polonês que obedecia ao governo em exílio e organizava o movimento de resistência dentro da Polônia. Esse movimento era muito ativo e consistia principalmente em sabotagens, contra-propaganda, e atentados (existe um museu muito bom sobre isso em Varsóvia, mas ainda não coloquei as fotos dele no flickr). Andando pela cidade você vê de vez em quando a Kotwica, símbolo da resistência polonesa.

Houve dois levantes em Varsóvia: o Levante do Gueto de Varsóvia feito pelos judeus, que não tinha chances reais de sucesso e foi encarado por seus participantes mais como uma forma digna de morrer do que como uma tentativa de resistência (este episódio aparece no filme “O Pianista”). No bairro onde antes ficava o gueto, existem diversos monumentos lembrando esse episódio, como este em homenagem aos heróis do levante, o lugar onde ficava um dos bunkers da resistência, e também um monumento na Umschlagplatz, o local onde os judeus eram reunidos para serem levados aos campos de concentração.

O outro levante foi o Levante de Varsóvia propriamente dito, que foi muito mais organizado, contando com apoio externo dos aliados (que bombardeavam posições inimigas e enviavam suprimentos). Além dos soldados regulares, lutaram crianças no conflito. Infelizmente esse foi também suprimido. Um fator decisivo na derrota dos poloneses foi a omissão do Exército Vermelho, que tinha prometido invadir Varsóvia poucos dias após o início do levante mas na realidade avançou apenas até as bordas da cidade. Os soviéticos foram extremamente sacanas nesse episódio. Além deste incidente, após a libertação do país eles “julgaram” e condenaram os líderes do levante como traidores da Polônia, e os mandaram para a prisão perpétua.

Relacionado à Segunda Guerra Mundial existe também o Túmulo do Soldado Desconhecido, que conta com soldados montando guarda e várias placas mencionando batalhas em que soldados poloneses lutaram, inclusive da Segunda Guerra Mundial.

Quanto ao período comunista, de longe o que mais se destaca é o Palácio da Cultura e Ciência, um prédio gigantesco construído por Stalin como um presente ao povo polonês. Dá para vê-lo de quase qualquer parte da cidade. Você se sente realmente “vigiado” por ele. Sinistro… Também tem alguns carros comunistas, como este furgão tosco, ou a versão perua do Trabi. Outra coisa que se percebe se estiver atento são os alto-relevos que existem em alguns prédios, retratando o proletariado em cenas vitoriosas ou altivas.

Algo que me impressinou foi este monumento, em homenagem aos poloneses levados pelos soviéticos a campos de trabalhos forçados. Eram transportados em trens como se fossem gado, e muitas vezes morriam na viagem por falta de comida ou pelo frio (por isso as cruzes em cima do vagão). Atrás do vagão existem traves com os nomes de diversos locais para onde os prisioneiros foram levados.

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Polônia – I

Quando saí do Brasil pra vaguear pela Europa, acho que o país do qual eu tinha menos expectativas era a Polônia. Nunca tinha ouvido falar muito, fui mais porque alguém me falou (ou acho que me falou) que era bacana. E eu queria visitar Auschwitz (até hoje fico triste só de ver as fotos que tirei de lá… É difícil ter uma idéia do que foi o nazismo sem ter visitado um campo de concentração).

No fim das contas, a Polônia virou um dos meus países preferidos. O povo lá é bastante aberto, não é difícil fazer amizades. Conheci pessoas muito bacanas. As cidades que visitei (Cracóvia e Varsóvia) são muito bonitas e ricas em história (ambas remontam à época medieval). E principalmente em Varsóvia, é muito fácil perceber os vestígios da Segunda Guerra Mundial e da época comunista. Eu comecei a falar sobre esses dois últimos assuntos aqui mas ficou muito grande, e vou deixar para o próximo post.

Em Cracóvia existe uma mina de sal que vale muito a pena visitar, que funcionou desde o século XIII até a metade deste ano! Já recebeu visitantes ilustres como Copérnico e outros… Pra começar, você desce 65 metros em uma escada de madeira até o 1º nível da mina. A partir daí, visita câmaras centenárias ligadas por galerias de túneis, vê estátuas feitas de sal, equipamentos originais de várias épocas, e até presas e dentes de mamute! Mas o ponto alto de verdade é uma inacreditável capela a 101 metros de profundidade, completamente feita de sal. O engraçado é que logo no início da visita eu encontrei uma família de Curitiba. Até debaixo da terra a gente encontra brasileiro. 🙂

Em Varsóvia, uma parte muito interessante da cidade é o centro medieval, que é cercada por muralhas. Os prédios foram destruídos na Segunda Guerra Mundial, mas o traçado original das ruas se manteve e os edifícios foram reconstruídos posteriormente. A praça central é bem bacana (apesar da muvuca), e tem uma estátua da sereia com espada e escudo que é o símbolo da cidade e personagem principal da lenda de criação da cidade.

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