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Posts Tagged ‘madrugada’

A maioria das pessoas vive de forma a maximizar benefício próprio, seguindo um conjunto flexível de regras morais e/ou boa conduta. Por exemplo, um pai de família que se vê como uma pessoa honesta procura conseguir o máximo de dinheiro e recursos para si e sua família (com razão, claro), mas pode por ventura procurar sempre comprar produtos importados ilegalmente, sem pagar o imposto devido na alfândega. Esse comportamento aumenta os recursos que ele pode disponibilizar para sua família, e pode ser racionalizado de várias formas (“não concordo com a quantidade absurda de impostos atual”, “o governo vai roubar/utilizar mal mesmo”, “sou apenas uma gota no oceano”, etc.). Eu vejo alguns problemas nessa atitude.

Em primeiro lugar, cada uma das formas de racionalização que eu citei são males que devem ser combatidos pela raiz, e não contornados. Não concorda com a quantidade de imposto cobrada? Pressione seu representante legislativo para atuar sobre o assunto. Acredita que o governo é corrupto? Busque conhecer melhor as contas do governo (tarefa gigante, claro. Mas você pode participar de uma das várias ONGs que fazem isso.) e assim por diante. Eu acredito que é sempre melhor solucionar o problema pela raiz do que contorná-lo (para valores altos mas não absolutos de “sempre”, eu acho).

Além disso, a situação usada como exemplo gera problemas sociais por si só: mentalidade de que “roubar só um pouquinho não tem problema” (e por acaso sonegar não é um crime? Se não concorda que deva ser um crime, pressione seu legislador.), financiamento de uma cadeia produtiva criminosa (o famoso “esse dinheiro vai pro tráfico”), diminuição do dinheiro total disponível para o governo investir de volta na sociedade (de novo, se investe mal isso é outro problema, a solução para ele é outra). E isso leva, no nível macroscópico, a um mundo percebido como injusto: na média todos fazem algo que prejudica alguém em maior ou menor grau, e todos sofrem com algo feito pelos outros. Exemplos: sonegar imposto, furar fila, comprar filmes e jogos piratas, dirigir bêbado.

Gradações cada vez maiores de flexibilidade moral fazem a ponte entre os “cidadãos de bem” e as pessoas realmente sem escrúpulos. Fazem a ponte tanto no sentido de ficar no meio da escala, quanto em ajudar estas últimas a se integrarem na sociedade. Afinal de contas, como um líder do tráfico ou de um mega-esquema de corrupção ativa no governo consegue os serviços (mesmo que prosaicos) de que precisa para tocar seu negócio? Para funcionar, esse negócio precisa de pessoas especializadas que prestam serviços em determinadas áreas, e que muitas vezes fazem vista grossa e sabem para quem estão trabalhando (apesar de racionalizarem a questão e se considerarem apenas profissionais imparciais). É o caso de contadores e advogados especialistas em lavagem de dinheiro, “maquiagem contábil” etc. Também é o caso de governos (e até mesmo populações) de paraísos fiscais (inclusive a Suíça).

Em contrapartida, pessoas idealistas (ou seja, que se apegam firmemente a princípios norteadores bem definidos) tendem a gerar algum atrito com as pessoas moralmente flexíveis (qualquer nível em que estas últimas estejam na escala moral). Isso pode fazer com que sejam mal-vistas por uns, mas em compensação são respeitadas em suas opiniões por outros. Algumas dessas pessoas possuem personalidade forte o suficiente para desencadear transformações profundas nas pessoas ao seu redor e na sociedade. Ex: Mahatma Ghandi, Martin Luther King Jr, Mário Juruna e outros (até mesmo Richard Stallman, devo admitir). As pessoas que chamo de “moralmente flexíveis” não desencadeiam transformações nas pessoas ao seu redor, muito menos na sociedade. Creio que em nível macroscópico, se as pessoas idealistas fossem maioria na sociedade ao invés dos ditos “cidadãos de bem” que são maioria hoje, haveria no geral um mundo percebido como justo, com pessoas mais participativas nas questões de justiça social.

Acho que no fundo meu ponto é: se você quer ter uma chance de causar impacto positivo nas pessoas ao seu redor e possivelmente na sociedade, deve conhecer e escolher bem seus princípios norteadores e se apegar a eles doa a quem doer, custe o que custar. Isso foi uma lição muito boa que eu aprendi quando era cristão e busco seguir até hoje. E é exatamente essa característica do cristianismo (e creio que também de outras religiões) que faz com que seja difícil encontrar alguém que tenta de verdade praticar sua religião (mesmo procurando em grupos religiosos).

É a escolha entre ser mediano e inexpressivo ou fazer a diferença e se destacar, influenciar. Vale notar que todos somos medianos em alguns aspectos e acima da média em outros. Não dá para se destacar em tudo. Existem coisas que não nos são tão importantes a ponto de estarmos dispostos a nos apegar firmemente a elas. Mas certamente existem algumas coisas que são. O ponto é: refletir e escolher o que é importante para você e fazer a diferença nessas áreas.

Por último gostaria de mencionar que forte apego a princípios norteadores não implica em falta de abertura para ouvir e até ser convencido por outros pontos de vista. Gosto de discussões honestas, e uma discussão honesta tem como pré-requisito que as duas partes estejam dispostas a ser convencidas de que estão erradas, pelo menos em parte. Do contrário, a discussão é perda de tempo. Ficarei feliz de continuar discutindo essas questões nos comentários do blog, caso alguém se interesse.

Agradeço aqui às pessoas que revisaram meu artigo e contribuiram suas opiniões a respeito!

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O WordPress tem um painel muito bom, e uma das seções dele informa quais termos de busca foram usados para as pessoas encontrarem seu blog.

Faz exatamente um ano, comecei a coletar os que mais me chamaram a atenção (geralmente por serem engraçados).

Eis a lista, em ordem cronológica:

  • historia dos the commits
  • haha
  • temperatura geladeiras de cerveja
  • bug de flores
  • versinhos fofos
  • a musica do hino nacional em quadrinho
  • versos determinados.
  • cerveja
  • versinhos em alemão
  • das site auf deutsch
  • super mustache
  • blog nerd
  • ele lutou até o fim
  • images made in photoshop
  • bunny avançado
  • biçicletas 2 lugares
  • documentos necessários para vender sabão
  • baik de cinco lugares
  • flintstones alta resolução
  • tucano de frente
  • fotos de mecanico consertando o carro
  • textosobrecriseeconomicamundialde2009
  • caixas de sabao diferentes
  • onde achar forma para sabão
  • coisas que ten na bicicleta
  • bauermann na alemanha
  • fotos de papagaios em alta resolução
  • gdb для python

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I’d like to be able to say this every once in a while:

All in all, it was a pretty crazy year. My life kind of turned upside down and I found myself to be very often far removed from anything resembling a comfort zone. I expect 2009 to be pretty crazy as well.

http://she.geek.nz/archives/528-2008-summary.html

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2007

Cracóvia, 03 de junho de 2007.

Vivo no topo de uma plataforma de pedra. Não é muito espaçosa,
e não há mais ninguém aqui. Não há muita luz, somente uma eterna penumbra.
Na distância vejo outras pessoas vivendo na mesma situação, separadas por abismos.

Às vezes agito os braços e grito, tentando me comunicar, fazer amizade,
conhecer essas pessoas. Às vezes funciona, às vezes sou mal-interpretado
ou mesmo ignorado. Às vezes essas pessoas agitam os braços e gritam,
tentando se comunicar, fazer amizade, me conhecer. Às vezes funciona,
às vezes interpreto mal ou mesmo ignoro.

Fico imaginando como seria se não houvesse esse abismo nos
separando. Poderíamos realmente conhecer as pessoas, festejar, abraçar.

Mas o que se pode fazer? Não há como eliminar um abismo.

O melhor que posso fazer é tentar conhecer as pessoas a partir da margem.
Vejo que algumas pessoas conseguem fazer isso razoavelmente bem. Eu não.
Mas sempre se pode fazer tentativas.

Thiago Jung Bauermann

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resolvendo nomes na rede de casa

Desde que eu tenho dois notebooks em casa eu senti a necessidade de ter resolução de nomes funcionando decentemente para eles, ao invés de ter que ficar vendo qual IP o roteador designou para cada notebook cada vez que preciso acessar um ou outro computador. Primeiro pensei em fixar um IP baseado no endereço MAC, mas meu roteador não tem essa funcionalidade. Depois fiquei imaginando se não existia algum servidor DNS pra uso doméstico que pode ter suas entradas atualizadas dinamica e automaticamente.

Qual não foi minha surpresa quando descobri que a solução pro meu problema não só já existe, como não exige configuração nenhuma e além disso já estava instalada e funcionando nos dois computadores! Chama-se Multicast DNS (mDNS), e faz parte de um conjunto de tecnologias de “zero configuration networking”, da qual o Apple Bonjour faz parte. No Linux, o serviço que implementa isso é o Avahi.

Para usá-lo no caso que eu tinha em mente (basicamente, ssh e scp) basta usar o hostname do computador a ser acessado e acrescentar a extensão .local. Exemplo:

hotblack% ssh hactar.local
hactar% ping hotblack.local
PING hotblack.local (192.168.1.2) 56(84) bytes of data.
64 bytes from hotblack.local (192.168.1.2): icmp_seq=1 ttl=64 time=0.328 ms

Ótimo!

Eu já tinha ouvido falar de Zeroconf e do Avahi, claro. Mas eu achava que era só para descoberta de serviços na rede (coisa que nunca precisei, pelo menos por enquanto (mas acho a idéia bem legal)), não sabia que integrava com DNS!

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Só de zoeira resolvi criar um hackergotchi pra mim. Como esperado, o Google achou rapidinho uns tutoriais de como fazê-los no GIMP.

Uma coisa que achei bem útil foi a lista de cabeças do GNOME Planet. Dá pra ver exemplos de vários estilos e ângulos, pra ver o que fica melhor e também ter uma idéia de como as pessoas fazem os cortes, o que tiram e o que deixam, etc.

Sem mais delongas, eis três que ficaram melhorzinhos, em ordem de preferência:

Hahaha, fala sério, ficou bom não? Bluepages, prepare-se!! 😀

Algumas dicas:

  • A ferramenta Free Select é sua grande amiga. Habilite anti-aliasing e feather edges (eu usei raio 5 (imagino que a unidade seja pixels) e achei bom). Não requer prática nem tampouco habilidade!
  • Para tamanhos menores que 100×100, ajuda fazer um sharpen na imagem, antes de colocar a sombra.
  • Use valores modestos na sombra (eu gostei de offset de 1 pixel no X e Y, e raio de 4 pixels).
  • Cabelo é uma dificuldade. Se o seu é curto e bem domado, sorte sua! Infelizmente o meu é o contrário nos dois aspectos, penei um pouco pra ter algo mais ou menos aceitável.
  • Dê preferência para fotos mais claras, com cores vivas (dá pra ver que a minha imagem do meio ali em cima tá meio apagada, por exemplo) e nas quais sua cabeça (principalmente seu cabelo!) se destaque bem do fundo.

Bom, é isso. Se eu acordar amanhã e cair a ficha de que as figuras acimas estão ridículas, eu tiro do post. Por enquanto, parece divertido. 🙂

Comentários? Críticas? Zoações?

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enchendo lingüiça

O avião que me levava de Porto Alegre a Guarulhos tinha uma tela LCD bacana, mostrando o trajeto do vôo. Havia um grande trecho em linha reta, sobre o oceano Atlântico. Qual não foi minha surpresa quando vi na tela o avião fazendo uma curva na direção do mar aberto?!? Mais um pouco e já havia descrito um U completo, e aparentemente estávamos voltando para Florianópolis ou algo assim. Mas será o Benedito?! Não entendi nada do que estava acontecendo…

Dali a pouco o comandante explicou: havia muito tráfego em Guarulhos e o controle de tráfego aéreo pediu pra ele ficar enrolando por um tempo ali, no meio do oceano:

E por lá ficamos, durante um tempo (acho que meia hora) voando em círculos. Foi bem curioso, nunca tinha acontecido comigo. Achei que para esperar o movimento os aviões ficavam voando só nas proximidades do aeroporto..

Muito bacana foi o visual da janela quando começamos a nos aproximar do litoral. Pena que a câmera não conseguiu captar as cenas por haver muito pouca luz. De qualquer forma, aqui vai uma tentativa não-tão-mal-sucedida de melhorar no computador uma dessas fotos:

Dá pra ver uma cidade litorânea bem grande na costa (depois vou tentar identificar no Google Earth), e uma monstruosa mancha de luz ao fundo, que é a Grande São Paulo. Fiquei surpreso em conseguir ver Sampa a partir do litoral, mas acho que é de se esperar quando você está a mais de 8 km de altura…

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