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Posts Tagged ‘brasil’

Hoje no twitter um tal de Instituto Millenium começou a me seguir. Ainda não manjo muito de twitter, mas já deu pra perceber que certas pessoas e instituições ficam seguindo pessoas ao léu como forma de se promover ou propagandear de forma não solicitada (i.e., spam). Mas não é esse ponto que quero destrinchar agora.

Enfim, eu fiquei curioso pra saber o que é esse tal instituto (pois é, infelizmente spam funciona). Fui no website, li algumas seções da parte institucional. Dizem na seção “Quem somos”:

O Instituto Millenium é uma organização sem fins lucrativos, sem vinculação político-partidária, que promove valores fundamentais para a prosperidade e o desenvolvimento humano da sociedade brasileira.

E na seção “Carta de Princípios”:

O Instituto Millenium é uma associação de fins não econômicos, sem fins lucrativos, que será enquadrada sob a lei das Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), independente de qualquer grupo político, religioso, empresarial ou governamental, mantida por doações de indivíduos, fundações ou empresas.

[…]

O Instituto Millenium não aceita contribuições que impliquem posicionamento predeterminado diante de qualquer tema ou outro procedimento que de alguma forma comprometa a integridade intelectual de seus trabalhos.

Os destaques em negrito são meus, não do texto original. Parece muito bom e muito bonito, um grupo de pessoas imparciais tentando promover mudanças na sociedade. Só que tem dois problemas aí. Um deles você percebe quando começa a ver a lista de membros e diretores do instituto. Tem dois ex-presidentes do Banco Central, dois altos executivos da Globo, três ou quatro presidentes ou sócios de grandes bancos privados, três ou quatro jornalistas  ou ex-jornalistas da Rede Globo, o presidente do Grupo Gerdau, o presidente do Grupo Abril, e por aí vai.

Ou seja, eles estão nos chamando de idiotas ao se apresentarem como um grupo sem vinculação política. É óbvio que representam um segmento bastante específico da sociedade, com muito poder e articulação política.

O outro problema é sistêmico no jornalismo brasileiro: apresentar-se como neutro e isento, quando na realidade isso não existe em grupo nenhum, em lugar nenhum. Qual o problema de dizer claramente que sua linha editorial defende uma orientação política X? Isso é comum nos EUA e em outros países. Ao invés disso, aqui existe essa palhaçada.

Isso é só mais uma instância que confirma o que venho reparando a muito tempo, e que estava planejando abordar neste blog: o jornalismo no Brasil não cumpre sua função social, que é de informar a sociedade sobre questões importantes da atualidade de tal forma que dê embasamento às pessoas a formarem sua própria opinião a respeito dessas questões. Não é necessário ser imparcial para isso (até por que é impossível sê-lo nas questões mais importantes), basta deixar claro qual a linha editorial do veículo de comunicação para que as pessoas possam ponderar o que está sendo veiculado.

Ao invés disso, o jornalismo brasileiro deturpa e filtra propositadamente o que divulga, com objetivos claros e bem definidos que beneficiam o setor da sociedade que representam, ao mesmo tempo em que se pintam de cordeiros e bastiões da justiça e imparcialidade.

Sinceramente, se você está lendo este texto e estuda ou trabalha na área de jornalismo, deveria em primeiro lugar sentir vergonha de seus colegas, que criaram e mantêm essa lama. Em segundo lugar, deveria orientar sua carreira de forma a combater essa situação.

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Por acaso fiquei sabendo que a torcida do Náutico tem vaiado o hino nacional nos jogos de seu time. Deixei um comentário no post do blog que me informou sobre o assunto e, por achar relevante dar um pouco mais de exposição ao mesmo, reproduzo-o aqui:

Eu não gosto de futebol e não acompanho o que acontece nessa esfera, portanto fiquei sabendo por este post sobre essa história de vaiar o hino nacional.

Minha opinião (após ler apenas este post) é que essa atitude não faz o menor sentido. O hino nacional não tem nada a ver com futebol, muito menos com os dirigentes (ou melhor dizendo mafiosos) das organizações de futebol no Brasil.

Vaiar o hino é quase o mesmo que mijar na bandeira do Brasil. Não sou nacionalista, mas acho que se queremos nos tornar um país próspero e desenvolvido (o que é perfeitamente factível na minha opinião), um dos primeiros passos que devemos tomar é ter respeito próprio e confiança de que podemos ser tão bons quanto os melhores países do mundo.

Vaiar o hino, nesse sentido, é cuspir pra cima. Certamente existem outras formas de os torcedores registrarem seu protesto, e sugiro fortemente que outras alternativas sejam adotadas.

O curioso é que o Google não retorna nenhuma matéria sobre o assunto vinda dos grandes jornais… <insira sua teoria de conspiração favorita aqui>

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Acabei de escutar “Luis Inácio”, dos Paralamas. Eu acho (agradavelmente) impressionante que uma banda escreva uma letra tão direta, agressiva e dando nomes aos bois como essa e além disso consiga produzi-la, vender CDs e fazer shows por aí com ela.

Expressa muito bem o que todo mundo pensa sobre os políticos e a política brasileira. É uma pena que a letra, de mais de 10 anos atrás, continue atual. 😦

Comentando alguns trechos:

” Brasília é uma ilha, eu falo porque eu sei
Uma cidade que fabrica sua própria lei
Aonde se vive mais ou menos como na Disneylândia
Se essa palhaçada fosse na Cinelândia
Ia juntar muita gente pra pegar na saída”

Isso é muito verdade. Um professor meu do segundo grau (infelizmente esqueci quem) falou que a maior desgraça que aconteceu no Brasil foi mudar a capital do Rio de Janeiro para Brasília, aquele lugar isolado. Eu concordo em gênero, número e grau. Com certeza ia ter muito mais manifestações e protestos contra toda essa palhaçada que acontece se a capital fosse no Rio ou em São Paulo. E certamente ia também “juntar muita gente pra pegar na saída”!

” Ao permitir que num país como o Brasil
Ainda se obrigue a votar por qualquer trocado
Por um par se sapatos, um saco de farinha
A nossa imensa massa de iletrados
Parabéns, coronéis, vocês venceram outra vez
O congresso continua a serviço de vocês”

Outra grande desgraça para o Brasil, o voto obrigatório. Não acho que tenho que falar mais do que já está na letra. Quando isso vai acabar?

E para colocar o último prego no caixão, a triste ironia: a frase que inspirou a música foi dita pelo nosso atual presidente da república, na época reclamando do governo Itamar. Ele assumiu o lugar do dito cujo, mas os picaretas ainda estão lá. E mais picaretas foram chamados (haja vista o inchaço da máquina pública).

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